Academia MWD Dilbeek / Carlos Arroyo Arquitectos

O cinturão de Bruxelas tem a oeste uma capital cultural não oficial, em Dilbeek, sede do Centro Cultural Westrand e suas várias instalações. A academia MWD reforça essa polaridade, oferecendo ensino de música, interpretação, dança e um auditório-teatro.

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O Desafio Urbano

O novo prédio está localizado no centro de Dilbeek, num contexto difícil pela variedade de situações adjacentes: ao sul, a praça principal Gemeenteplein com a prefeitura e restaurantes, a oeste a CC Westrand, com volumes monumentais do edifício brutalista do A.Hoppenbrouwers; ao norte Wolfsputten, uma área de floresta natural protegida, e ao leste um grupo compacto de casas suburbanas com telhados inclinados como a imagem arquetípica da fazenda.

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A questão era: como conciliar as diferentes situações, e ao mesmo tempo produzir um edifício de caraterísticas próprias?

Em primeiro lugar, com o volume. O novo prédio é uma transição suave entre a escala das casas e a presença imponente do CC Westrand.

Em seguida, com a forma. Os telhados inclinados ao longo da rua refletem as casas do outro lado, comportando-se como um elemento em balanço que olha diretamente a CC Westrand.

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Terceiro, com a função. A única entrada é no lado Westrand. Nada acontece nos perímetros mais domésticos, nem nos mais naturais. Só no lado voltado para o centro cultural onde o auditório se levanta do chão, criando um espaço público coberto de acesso à academia.

Finalmente, com a imagem. A fachada dinâmica cria um efeito óptico. Se você andar em direção às árvores, você vê árvores. É uma imagem de Wolfsputten. Se você andar na direção oposta, vê as cores de Hoppenbrouwers.

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Alfons Hoppenbrouwers, o arquiteto do CC Westrand, era um especialista em cores. Ele dedicou grande parte de seu tempo à pintura, e de fato, a fachada do novo prédio, quando se anda em direção ao Hoppenbrouwers é baseada em uma de suas pinturas. O seu trabalho bidimensional é uma combinação de matemática e cor. Linhas, geometria, ritmo, cor e textura. Estes também são os ingredientes da música, e de fato várias de suas pinturas são interpretações de peças musicais, como a que compõe a elevação da Academia. Uma peça musical composta em 1497 pelo polifonista Flamengo Johannes Ockeghem.

O resto das fachadas reproduzem os mesmos ritmos, mas em painéis de metal com diferentes texturas de acabamento que refletem o céu e a floresta.

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Função e flexibilidade

O fato do auditório ficar em balanço acima do espaço público coberto, dá lugar a um espaço aberto que conduz ao lobby principal. Este fica no centro do edifício facilitando a segregação das funções públicas do auditório e as funções públicas da escola. Ambos compartilham os principais serviços: recepção, vestiário, banheiros e camarins, que também estão ligados diretamente ao palco do auditório no nível superior.

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As salas de aula, sala de ballet e orquestra estão dispostas em dois níveis, com uma coluna central, que inclui a estrutura os serviços técnicos e a circulação ao longo de um amplo corredor cuja largura permite manobrar e rearranjar a engrenagem das salas de aula.

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Pessoas

“Criar um lugar” é um dos motores do projeto. O espaço público coberto pelo voo do auditório é um exemplo claro: mesmo antes de terminar a construção, este espaço era usado por associações locais em atividades nos finais de semana. No interior, o salão principal pode ser usado para recepções as quais podem ser apoiadas pela cozinha da sala dos professores através de um acesso direto.

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No outro extremo do edifício existe um espaço claramente reconhecível como lugar aberto, uma escadaria dupla com bancos e com vista para a floresta. É fácil imaginar as pessoas sentadas nos bancos, talvez esperando o inicio de uma aula, alguém terminando suas aulas ou apenas conversando.

http://vimeo.com/imagensubliminal/academiemwd

Projeto: Carlos Arroyo Arquitectos

Localização: Dilbeek, Bélgica

Ano: 2012

Área Construída: 3.554,76 m2

Fotografia: Miguel de Guzmán

Texto: Carlos Arroyo ArquitectosTradução, Adaptação: archtendencias

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