Atelier de Cibercostura / Estúdio Guto Requena

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A cenografia abriga, num espaço de 250 metros quadrados, o complexo programa expositivo de arte e tecnologia do “Ateliê de [Ciber]costura”, que é parte de um dos maiores eventos anuais de arte da cidade de São Paulo – A Mostra SESC de Artes 2010. Cinco obras de computação vestível, palestras, workshops e oficinas, acontecem neste espaço, além de uma área reservada para os artistas realizarem testes e reparos para suas performances.

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A exposição acontece no SESC Pompéia, certamente um dos edifícios de maior relevância arquitetônica do Brasil, com projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, inaugurado em 1982. Nossa cenografia estabelece um diálogo profundo com este edifício, numa relação paradoxal de estranhamento e integração. Uma longa superfície translúcida se desenrola pelo espaço, com suas dimensões, ângulos e proporções calculados para relacionarem-se com o entorno, rasgando o prédio ao meio e criando as áreas reservadas necessárias para o programa. 

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Esta parede translúcida é uma membrana interativa que responde aos estímulos do ambiente, mudando de cor graças aos diversos sensores que captam movimento e nível sonoro das pessoas que transitam pelo prédio. Cores e padrões gráficos distintos convidam a reflexão do público sobre a maneira que ocupam, passeiam e se comportam dentro deste espaço. A prinicpal idéia dessa pele interativa é realçar e unir os 3 corpos: visitantes, espaço e as 5 obras vestíveis.

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A construção desta membrana foi feita com materiais baratos e tecnologias simples e facilmente disponíveis. Para a parede utilizamos plástico bolha estruturado em madeira pinus certificada e para interação foram utilizados sete sensores de presença e três sensores de ruído, espalhados no interior do edifício. Tais sensores tiveram seus códigos abertos e seu funcionamento original modificado para então serem conectados ao microcontrolador Arduino, que converte os sinais de input captados pelos sensores em padrões cromáticos que se alteram numa programação aberta, em construção durante o próprio evento nas oficinas. A idéia inicial é que cores frias, como verdes e azuis, indiquem momentos com menos pessoas e menos barulho, em contraponto às cores quentes, como vermelhos e amarelos, que indicam maior movimentação e ruído. Todos os dados de programação serão compartilhados gratuitamente no Pachube.

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Com referência à memória dos ateliês de costura de avó, a cenografia incorpora elementos de impacto afetivo nos visitantes, adquiridos em lojas de aviamentos e depósitos de móveis usados, como a seleção de cadeiras gastas pelo tempo, porcelanas decorativas, máquinas de costura, novelos de lã, agulhas de tricô e tapetes antigos. Essa camada temporal soma-se aos elementos de alta tecnologia que permeiam nosso atual cotidiano: chips, microcontroladores, LEDs e transistores.

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A exposição deveria gerar o menor impacto ambiental possível, assim, além da locação e re-uso dos objetos e mobiliários cenográficos, toda estrutura de madeira pinus da parede e o plástico bolha que faz sua vedação, serão doados para uma cooperativa de reciclagem de resíduos. Priorizamos a aquisição de materiais nacionais, inclusive nos equipamentos de interação, e todos os móveis e objetos comprados no Bazar Lar Escola São Francisco serão novamente doados para esta instituição.

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O projeto para cenografia e direção de arte do “Ateliê de [Ciber]costura” incorpora em sua essência elementos de universos aparentemente distintos, que, com o recente avanço das novas tecnologias de informação e comunicação, passam a se mesclar: o orgânico e o maquínico, o analógico e o digital, a natural e o artificial, o concreto e o virtual.

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Sejam bem vindos a refletir sobre os rumos que nossos corpos, nossas roupas e nossos espaços devem se relacionar com as novas tecnologias numéricas.

Projeto: Estúdio Guto Requena

Localização: São Paulo, Brasil

Ano: 2010

Fotografia: Fran Parente, Gabi Carneiro

Texto: Estúdio Guto Requena

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